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Não há razão para amar

Alguns momentos de nossas vidas são determinantes, algumas vezes são segundos que abrem caminhos que jamais imaginávamos. Como diz Guimarães Rosa: “a felicidade se encontra em momentos de descuido”, e nesses momentos de descuido, muitas vezes encontramos o amor de nossas vidas.

Quantas vezes nos perguntamos qual a razão de amarmos alguém. Mas quem disse que o amor precisa de razões? É justamente esse descompromisso com razões que faz do amor algo tão intenso e tão incontroverso em si mesmo. No amor não há lógica e não há porquês, ele é exercido sem razões. Drummond sabiamente descreveu isso quando escreveu “as sem razões do amor” e de maneira simples e intensa constatou que: “eu te amo porque te amo. ”

E assim perduram os relacionamentos em que os casais entendem e vivem as sem-razões do amor. Um não precisa que o outro lhe dê ou prometa nada e assim seguem dando tudo de si um ao outro, sem cobranças, sem exigências, simplesmente florescendo para si e para o outro sem uma razão precisa. O amor é pago com amor, está regido por uma linguagem que não se pode traduzir, só é entendida pelo coração e por aqueles que realmente sabem exercitar essa arte de amar. Amar sem motivos, sem explicações, sem porquês.

Perduram os relacionamentos em que os opostos se atraem sem tentar durante o caminho se tornarem iguais. Seguem um complementando o outro, aceitando-se e respeitando-se. Você não precisa de alguém idêntico a você, e se assim fosse quão frustrante seria ter alguém idêntico, sem a possibilidade de experimentar outras possibilidades, outras visões e outras perspectivas. Não tente mudar o outro, porque é justamente o que ele não é que traz essa possiblidade de encaixe e completude.

Há relacionamento que se findam e as pessoas se perguntam sobre o porquê do amor ter acabado, e, por vezes, viviam um relacionamento de disputa, em que um sempre queria ganhar do outro. E foi aí que o amor fugiu, porque ele não gosta de disputas. Ele não quer dar o grito mais forte. Para o amor, o jogo só é bom quando os dois estão ganhando, não há adversário. O amor não procura o ponto fraco do outro, ele procura o ponto forte e o valoriza, porque o bom é quando o outro está feliz.

Nos relacionamentos bons, o erro de um não é apontado como triunfo. Os casais felizes se ajudam, conduzem o sonho do outro como se seus fosse, pois, sonho é algo delicado e deve ser valorizado. Nesses bons relacionamentos, o amor age sem razão, amando simplesmente por amar, sem precisar que o outro seja do jeito que você quer. E é isso que fascina no amor, o outro é do jeito que deve ser, e por isso é amado, com suas particularidades, com seus defeitos, trejeitos e desajeitos. Ame, não porque há uma razão… mas porque o amor é a razão.